O bairro Floresta, localizado na região
Leste, nasceu como subúrbio.
Foi um dos primeiros locais de moradia
dos operários que trabalharam na
construção da capital.
Eles chegaram a construir diversos casebres
no local, que posteriormente deram lugar
a casarões, dentre eles o famoso
palacete do Conde de Santa Marinha, construído
em 1896, que tornou-se a primeira residência
fora dos limites impostos pelo projeto original
do engenheiro Aarão Reis.
O palacete nem chegou a ser habitado, já
que seu dono faleceu no Rio de Janeiro,
enquanto buscava a família para viver
na nova capital.
No princípio, o bairro era formado
por chácaras que, segundo historiadores,
eram responsáveis pelo abastecimento
de hortifrutigranjeiros da capital recém
inaugurada.
Os vestígios da primeira forma de
ocupação ainda existem. A
área da Praça Comendador Negrão
de Lima, é um exemplo. Ela está
no local onde existia a chácara da
família Negrão de Lima. A
sede da propriedade, situada na Rua Leonídia
Leite, continua preservada e foi tombada
pelo Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico de Minas Gerais.
A origem do nome Floresta é controversa.
A história mais conhecida, relatada
pelo historiador Abílio Barreto,
conta que um hotel boêmio chamado
Floresta teria motivado o nome.
Outra relata que quando as pessoas se dirigiam
até a região, diziam estar
indo para os lados da Floresta.
Uma outra versão diz que o nome
está ligado à paisagem verde
que se avistava, olhando a partir do Centro.
Outra curiosidade é a Rua Célio
de Castro, entre a Rua Pouso Alegre e a
Avenida do Contorno. Muitos hoje acreditam
que o nome foi dado graças ao ex-prefeito
de Belo Horizonte, mas, na verdade, a homenagem
foi feita a um dentista. “ Nesta rua,
chamada anteriormente de Rio Preto, havia
um consultório dentário e
o seu proprietário, Célio
Garrão de Castro, prestava serviços
gratuitos a pessoas carentes. Com o seu
falecimento, os moradores pediram à
prefeitura para mudar o nome da rua”,
explica o jornalista Luis Góes, em
seu livro "Bairro Floresta: História
e Toponímia".
Na década de 40, o adro da Igreja
Nossa Senhora das Dores, era o local preferido
para moças e rapazes para o footing
( do inglês, ir a pé). As mulheres
– todas com seus melhores vestidos,
salto alto, maquiadas e perfumadas –
desfilavam, como se estivessem em um tapete
vermelho.
Na região moraram personalidades
ilustres como o poeta Carlos Drummond de
Andrade, Pedro Aleixo, Negrão de
Lima e até o compositor carioca Noel
Rosa, que na ocasião veio passar
uma temporada em Belo Horizonte em busca
da cura da tuberculose que o afetava.
Outro compositor não menos importante,
Rômulo Paes, cantou o bairro em versos:
minha vida é esta/subir Bahia, descer
Floresta.