Gameleira é uma designação
comum de algumas árvores da família
das moráceas. Sua madeira é
muito utilizada na confecção
de gamelas e objetos domésticos. A
atual geração não a conheceu,
mas foi ela quem inspirou a criação
do nome do bairro Gameleira, localizado na
região oeste da capital. Vítima
do progresso, hoje quase não mais se
encontram aquelas belas árvores que
deram origem ao bairro.
Muitas são as lembranças
dos antigos moradores do Gameleira. Entre
eles há algumas curiosas, como a
pescaria no ribeirão Arrudas e o
mato da região.
Maurício Silva, 69 anos, nasceu
e cresceu no bairro. Ele, que têm
várias histórias para contar,
relembra com saudade quando as águas
do Arrudas ainda eram limpas. Ele conta
que toda a meninada bebia água do
ribeirão e sorri ao dizer que naquela
época não sabiam direito o
que faziam. Hoje o Arrudas é usado
normalmente como esgoto, uma vez que os
detritos domésticos e hospitalares
de Belo Horizonte são lançados
em suas águas. Mas, na memória
do senhor Maurício não foram
apagadas a época em que, nessas mesmas
águas, era possível realizar
uma boa pescaria.
Enquanto o senhor Maurício têm
em suas lembranças as pescarias realizadas
no leito do ribeirão Arrudas, Isabelrita
Carli têm na memória o imenso
matagal existente no bairro. “Isso
aqui tudo era uma selva”, relembra,
quando se recorda do bairro na década
de 60. Conta que não havia água
e nem esgoto na região. “A
água, quando vinha, era aos sábados”,
explica. Segundo ela, era preciso encher
os tambores de manhã e a água
armazenada tinha de durar uma semana.