Nos seus primeiros tempos, o bairro Sagrada
Família ficava plantado a beira do
Córrego da Mata, hoje canalizado,
sob a moderna e movimentada avenida Silviano
Brandão. O bairro Sagrada Família
começava com o presépio do
Pipiripau, quase debruçado à
margem do córrego. A esse presépio,
se chegava através de uma pinguela
de pau e estreita. Isso foi o princípio
do bairro, que ia subindo morro acima, acompanhando
a rua Conselheiro Lafaiete, única
existente na época. Tempos depois,
esse novo bairro passou a subir pelas ladeiras
de rua General Carneiro, a mais larga e
a mais arborizada.
Os moradores desciam o morro para pegar
o bonde do Horto, que descia a rua Pouso
Alegre, em direção à
Praça Sete. Este bonde rodava pela
avenida do Contorno, viaduto da Floresta,
rua Caetés e, mais tarde, rua da
Bahia, para alcançar o centro.
O bairro possuía alguns automóveis
que, mesmos velhos ou antiquados, era a
expressão de classe e poder econômico.
Hoje, como toda Belo Horizonte, o bairro
convive com o crescimento conturbado e a
especulação imobiliária.
Mas, muito ainda pode ser visto da saudosa
comunidade, o bairro continua um excelente
lugar para se morar e amizade ainda prevalece.
O bairro Sagrada Família começou
a ser povoado no início do século
XX, com a fazenda do Sr. Altamiro Corrêa
que, posteriormente, demarcou os lotes e
vendeu cada unidade por 400 mil réis,
em prestações de 50 mil réis
por mês. Foi na administração
do então prefeito da época,
Otacílio Negrão de Lima, que
esta fazenda foi transformada em loteamento.
Os nomes de algumas ruas como João
Gualberto Filho, Stela de Souza, Genoveva
de Souza e outras mais, são em homenagem
aos familiares de João Gualberto,
um dos primeiros moradores do bairro.
O nome atual de Sagrada Família
foi sugerido por Maria Brasilina, mulher
de João Gualberto, em 1913. Nesse
mesmo ano o presépio do Pipiripau
foi montado, o que inspirou Maria Brasilina
a sugerir a troca de nome para Sagrada Família.
Outros moradores contam que, no início
da década de 40, o padre alemão
Idelfonso Beu construiu a igreja da Sagrada
Família e resolveu mudar o astral
da vila, que era considerada uma periferia
perigosa e procurada para trabalhos de magia
negra escolhendo um nome católico.
O bairro era formado por três fazendas:
Fazenda de Juca Cândido (Lajinha),
Fazenda de João Carlos e a Fazenda
Maria Brasilina (parte das terras doada
pelo seu pai João Carlos). Dentro
da Fazenda Maria Brasilina, foram criadas
pequenas vilas como: São João,
Reunidas e Lili.
A primeira missa foi celebrada pelo monsenhor
da Igreja da Floresta, na primeira capela
do bairro localizada à rua João
Carlos, esquina com rua Conselheiro Lafaiete.
A pedra fundamental da igreja da Sagrada
Família está localizada entre
a igreja velha (hoje um salão de
festas) e a casa paroquial, onde documentos
foram colocados dentro da cavidade esculpida
na pedra. Por solicitação
dos moradores, foi colocada uma cruz na
rua São Lázaro, quase esquina
com a rua São Luiz, onde se realizavam
as missas aos domingos. O cruzeiro que existia,
onde hoje é o EPA Supermercados,
foi fragmentado em pedaços e, uma
das partes, se encontra na igreja Sagrada
Família, transformado em crucifixo.
O padre Idelfonso muito se destacou pelos
trabalhos realizados, mas saiu da paróquia
alegando estar sendo caluniado e injustiçado.
Curiosodades:
* Entre as ruas Conselheiro Lafaiete e
rua Pitangui, havia uma porteira e a seqüência
da rua era apenas uma trilha.
* A casa de jogo do bicho era explorada
pelo Sr. Victor e Coração,
seu irmão.
* Às quintas-feiras e aos domingos,
jovens se reuniam na casa do Sr. Raul para
um sarau, onde surgiram vários casamentos.
Não podendo esquecer os bailes na
Filarmônica-casa de dança,
que se localizava entre o bairro Sagrada
Família e Horto Florestal.
* A avenida Petrolina era um córrego
, hoje canalizado, onde se pescavam traíras,
bagres e piabas.
* No conjunto de apartamentos entre as ruas
São Luiz e São Marcos, próximo
a construção da Academia Forma
Física, era o famoso “campo
da Grota” hoje Praça Antônio
Menezes.
* A biquinha localizada na rua Abílio
Machado com avenida Petrolina é proveniente
de um poço artesiano.
* A pedreira no “Buracão”
empregava muita gente e ficava situada no
meio da rua Volta Grande. E, no caminho
da rua João Carlos, existia uma ponte
para fazer o cruzamento com a rua Conde
Ribeiro do Vale.
* Também muito famosa era a lagoa
no terreno Sr. Alfonsus Guimarães,
muito conhecida, que fazia divisa entre
o bairro Sagrada Família e a região
que hoje conhecemos como Cidade Nova, que
naquela época era um terreno acidentado
por barrancos e possuía Mata Atlântica,
conhecida por Fazenda do Estado ou Instituto
Agronômico.
* A formação educacional,
na época, acontecia apenas no Grupo
Escolar Helena Pena, a primeira escola do
bairro, fundada em 1945.
* Nos anos 50, o futebol, já consagrado
como esporte favorito dos belo-horizontinos,
ganhou força com a construção
do Estádio Independência.
* A grota, como era conhecida pelos moradores,
foi o ponto alto da história do nosso
bairro. Times conhecidos como: Novo Horizontino,
Lafaiete, Ideal, Ponte Preta, São
Carlos, João Carlos, Maravilha, Cruzeirinho,
Brasilina, Palmeiras, Gráfica, Oriental,
Estrelinha, Lunense, Meridional, Independente,
Republicano e outros, estão guardados
na memória dos antigos moradores.
* Em 1958, foi inaugurado o Cine Casbah,
o primeiro e único no bairro Sagrada
Família. Localizado na rua Genoveva
de Souza, 975.
* A alegria das manifestações
culturais e as festanças de ocasião
eram por conta da Escola de Samba Unidos
da Brasilina e as congadas do Sr. Galdino
e do Sr. Alberto dos Santos.
* O transporte coletivo era feito pela Viação
Vitória até à Pracinha
Nilo Peçanha e lotação
jardineira, dirigida pelo motorista Zezinho,
ia até a rua que hoje se chama Godofredo
de Araújo. Curiosidade: o famoso
Guarda-Louça era o nome do ônibus
da linha Vitória. Os carros de praça
(táxis) eram do Sr. Augusto, Dedé
e José Prata.